Colaborador da SCL Agro em frente à gados

Cuidados com a pastagem no período de transição: como garantir uma rebrota saudável

Base técnica: Hudson Henrique Oliveira Silva, supervisor técnico da SCL Agro.

O fim da seca e a chegada das primeiras chuvas mudam rapidamente a paisagem da propriedade. O capim volta a apresentar folhas verdes, os piquetes começam a se recuperar e cresce a expectativa de retornar os animais ao pasto e reduzir a dependência dos alimentos utilizados no período seco.

Mas existe um cuidado importante nessa fase: pasto verde não significa pasto pronto para uso.

A rebrota é apenas o início da recuperação da planta. Antecipar o pastejo ou colocar animais em excesso nessa área pode retirar justamente as folhas de que a forrageira precisa para continuar crescendo. O resultado pode aparecer durante toda a estação das águas, com menor produção de forragem, redução da capacidade de suporte e impacto no desempenho do rebanho.

O verde voltou, mas a pastagem ainda está se recuperando

Depois de enfrentar o período seco, a planta precisa retomar seu crescimento. Com as primeiras chuvas, surgem novas folhas, aumenta gradualmente a disponibilidade de forragem e a pastagem começa a recuperar seu vigor.

Nesse momento, preservar a área foliar é fundamental. São as folhas que sustentam a fotossíntese e permitem que a planta produza energia para continuar se desenvolvendo.

O sistema radicular também entra nessa equação. Uma planta manejada corretamente preserva suas reservas e mantém maior capacidade de recuperação após o pastejo.

A rebrota precisa de tempo para se transformar em uma pastagem capaz de sustentar o rebanho.
Rebanho Nelore em rebrota da pastagem nos cuidados com a pastagem no período de transição.

Como saber se o pasto está pronto para receber os animais?

A decisão não deve ser tomada apenas pela cor da pastagem. É preciso observar quanto de forragem realmente existe disponível e se a planta atingiu condições adequadas para o pastejo.

Três pontos ajudam nessa avaliação:

  • altura da pastagem;
  • quantidade e desenvolvimento das folhas;
  • recomendação de entrada para cada espécie ou cultivar.
Hudson destaca que as exigências mudam bastante conforme a forrageira. Enquanto braquiárias podem trabalhar com referências próximas de 30 cm para entrada, cultivares do grupo Panicum, como Mombaça e Tanzânia, exigem alturas maiores.
  • PONTO TÉCNICO
    Não existe uma altura única para todas as pastagens. Conhecer a forrageira presente
    na propriedade e respeitar seus critérios de manejo é parte essencial da estratégia.

Superpastejo no início das águas compromete a recuperação

Um dos principais riscos dessa fase é aumentar a ocupação dos piquetes antes de a pastagem estar preparada.

Quando muitos animais entram em uma área que ainda está rebrotando, as primeiras folhas são consumidas rapidamente. Com menos área foliar, a capacidade fotossintética diminui e a planta passa a ter mais dificuldade para recuperar aquilo que foi retirado.

É um ciclo simples: a pastagem precisa de folhas para produzir mais folhas.

O superpastejo repetido também pode enfraquecer o sistema radicular e, ao longo do tempo, contribuir para a perda de vigor e a degradação da área.

A taxa de lotação precisa acompanhar o pasto

A quantidade de animais que uma área suporta no auge das águas não necessariamente é a mesma do início da estação.

Durante a transição, a disponibilidade de forragem ainda está aumentando. Por isso, a taxa de lotação deve acompanhar essa evolução, e não antecipá-la.

Uma estratégia mais segura é começar com menor pressão de pastejo, acompanhar a resposta das áreas e aumentar gradativamente a ocupação conforme os piquetes ganham volume e capacidade de recuperação.

Essa leitura precisa ser feita propriedade por propriedade. Tipo de pastagem, fertilidade, regime de chuvas, categoria animal e sistema de produção interferem diretamente na capacidade de suporte.

A recuperação da pastagem começa no solo

Esperar pela chuva, sozinho, não é uma estratégia de manejo.

Para expressar seu potencial produtivo, a planta precisa encontrar condições adequadas de fertilidade. Por isso, Hudson destaca a importância da análise de solo nesse período, permitindo identificar deficiências e planejar correções e adubações de forma mais precisa.

Além dos nutrientes, é preciso considerar a disponibilidade de água. A aplicação de fertilizantes deve acontecer em condições que permitam seu aproveitamento pela planta.

No início da transição, quando a forragem ainda está se estabelecendo, a avaliação do solo tende a oferecer informações mais úteis para o planejamento do que uma análise bromatológica pontual da rebrota.
  • SÍNTESE
    Não basta esperar a planta crescer. É preciso oferecer água, nutrientes e manejo
    para que ela consiga expressar seu potencial produtivo.
Bovinos Nelore no cocho com SCL Agro para suplementação e cuidados com a pastagem no período de transição.

O animal também precisa se adaptar à rebrota

O cuidado não termina na pastagem.

Os primeiros brotos apresentam uma composição nutricional diferente daquela consumida pelos animais durante a seca, podendo ter maior concentração de proteína e bastante umidade.

Quando a mudança de dieta acontece rapidamente, podem surgir alterações digestivas temporárias, como fezes amolecidas e a popularmente chamada “diarreia da rebrota”.

Por isso, o retorno ao pasto também deve ser gradual. Manter uma estratégia de suplementação durante esse período e acompanhar consumo, fezes, ruminação e desempenho ajuda o rebanho a atravessar a mudança com maior estabilidade.

Como as propriedades mais tecnificadas conduzem essa fase?

Alguns sistemas adotam estratégias para dar mais tempo à recuperação dos piquetes. Uma delas é o sequestro dos animais, mantendo temporariamente determinados lotes fora das áreas em rebrota, com fornecimento de silagem e concentrado. Conforme a pastagem se estabelece, os animais são liberados gradualmente.

Outras propriedades utilizam irrigação e sistemas intensivos de manejo para aumentar o controle sobre a produção de forragem.

São estratégias diferentes, mas baseadas no mesmo princípio: evitar exigir da pastagem mais do que ela consegue entregar naquele momento.

O manejo da transição define o potencial das águas

A chegada das chuvas marca um momento de oportunidade, mas também de decisão.

Respeitar as alturas de entrada e saída, preservar folhas, ajustar a taxa de lotação, cuidar da fertilidade do solo e fazer a adaptação gradual dos animais são práticas que ajudam a transformar a rebrota inicial em uma pastagem mais produtiva ao longo de toda a estação.

O objetivo não é simplesmente colocar o rebanho no pasto assim que ele ficar verde. É preparar a pastagem para continuar produzindo depois que os animais entrarem.

Quando planta, solo, nutrição e manejo trabalham de forma integrada, o resultado aparece na capacidade de suporte da área, no aproveitamento da forragem e no desempenho do rebanho.
  • A SCL Agro atua ao lado do produtor com orientação técnica aplicada à realidade de cada propriedade. Fale com o nosso time e entenda qual estratégia de nutrição faz mais sentido para a transição do seu rebanho.
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